O ambiente saudável e equilibrado
é um direito humano reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) na
segunda metade do século XX, depois das tragédias humanitárias provocadas pela
Segunda Guerra Mundial. Trata-se de um direito de Terceira Geração que incide
sobre o conjunto da humanidade, que é ameaçada por ações humanas de ampla
repercussão, exigindo esforços e cooperação universais para a sua realização. O
direito ao meio ambiente saudável está ligado aos valores de fraternidade e
solidariedade assim como os direitos a paz mundial e a autodeterminação dos
povos.
Em meio a um cenário de mudanças
climáticas e eventos extremos, a Fundação das Nações Unidas para a Infância
(Unicef), em parceria com a organização de saúde Global Vital Estrategies, criou
o Painel Criança e Meio Ambiente para fornecer informações sobre os riscos
ambientais provocados pelas mudanças climáticas, focando principalmente a
situação das crianças e adolescentes. Estas populações estão sujeitas a graves riscos,
uma vez que não têm suficiente maturidade para reagir aos eventos climáticos e
quando pertencem a setores sociais vulneráveis elas sofrem ainda mais.
Segundo o Painel, Manaus está
entre os 25% de municípios com mais crianças e adolescentes na sua população e demanda
alto nível de atenção em 10 dos 14 indicadores de vulnerabilidade pesquisados
pela Unicef. Esses indicadores de exposição ambiental estão organizados em
quatro áreas temáticas: Qualidade do Ar, Infraestrutura Ambiental e Urbana,
Eventos Climáticos Extremos e Ambiente Escolar. Estamos lidando com riscos de
elevadíssimo nível, exigindo alta prioridade de atenção e demandando ações
imediatas e urgentes.
De acordo com o diagnóstico, as
vulnerabilidades que mais afrontam as crianças e adolescentes manauenses estão
relacionados com a falta de saneamento básico nas escolas, a ausência de verde
nos ambientes escolares, a falta de acesso à água potável via rede de abastecimento,
a ausência de coleta de esgoto, a falta de coleta de resíduos no domicílio, ao
elevado percentual de moradias precárias, ao alto índice de poluição do ar e a
falta de abastecimento de água tratada.
O Painel Criança e Meio Ambiente
reforça as reclamações da população de Manaus em relação à má gestão da cidade,
destacando a falta de água potável e a ausência de esgotamento sanitário. A
capital amazonense vive sob a égide de uma privatização do saneamento que tem
levado a população aos limites da paciência. Ao longo dessa concessão quatro
empresas já assumiram os serviços sem responder adequadamente às necessidades
vitais das comunidades, ampliando os riscos socioambientais entre crianças e
idosos já vulnerabilizados.
O desprezo para com a população
salta à vista, sendo identificado por mecanismos nacionais e internacionais. A
gestão da cidade só existe para as classes mais abastadas enquanto o resto da
população sobrevive em condições humilhantes. As elites empresariais drenam as
riquezas produzidas pelos trabalhadores e disponibilizadas pela natureza. A maioria
dos representantes políticos faz do cargo público um meio de enriquecimento e perdeu
o contato com os eleitores que lhes deram o mandato.
Em tempos de mudanças climáticas
essa realidade torna-se mais visível, exigindo uma tomada de posição por parte
da população. A mudança não vem de cima, mas de baixo. Não é possível votar
mais nos mesmos que muitas vezes se disfarçam de outros. É necessário abrir
oportunidades para aqueles que demonstram compromisso com a população.
Amazonas Atual - https://amazonasatual.com.br/em-manaus-eventos-climaticos-e-falta-de-agua-ameacam-criancas/
IHU Unisinos - https://ihu.unisinos.br/669120-em-manaus-eventos-climaticos-e-falta-de-agua-ameacam-criancas-artigo-de-sandoval-alves-rocha
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