Naquela época, depois de um conturbado processo de privatização conduzido pelo governador Amazonino Mendes, a empresa Lyonnaise des Eaux – Suez arrematou as ações da subsidiária estatal Manaus Saneamento, iniciando uma trajetória de lamentos e lamúrias. Mesmo pagando uma bagatela abaixo do valor real da subsidiária, a multinacional francesa não conseguiu permanecer na cidade por muito tempo, uma vez que descumpria as metas do contrato de concessão, sendo obrigada a transferir os serviços para outro grupo empresarial.
De lá para cá estamos no 4º grupo empresarial que assume a
concessão sem resolver os problemas de abastecimento de água e esgotamento
sanitário. Já se passaram 26 anos desde o inicio da concessão, mas ainda apresentamos
os piores desempenhos entre as grandes cidades brasileiras. Manaus está entre
as sete capitais com pior saneamento básico do país. A capital amazonense supera
apenas Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Belém (PA), Macapá (AP), São Luiz
(MA) e Maceió (AL).
São quase três décadas de reclamações, processos judiciais, investigações, multas e notificações. O Site Reclame Aqui informa que os principais problemas apontados pelos consumidores são cobranças indevidas e falta de água nas residências. Além disso, os indicadores fornecidos pelo Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA) mostram que depois de 26 anos de privatização a coleta de esgotos chega somente a 32,35% da cidade e os serviços de tratamento de esgoto alcançam apenas 22,78% da cidade.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon/AM) também
mostra o baixo desempenho da concessionária Águas de Manaus, controlada pelo
grupo Aegea Saneamento. O Procon revela que a empresa ocupa a infame liderança
das empresas mais reclamadas da cidade. De acordo com o Instituto, as 3
empresas mais reclamadas do ranking são: Águas de Manaus, Bradesco e Vivo. Até
o mês de maio de 2026, a empresa de saneamento já tinha acumulado 510
reclamações, quase o dobro da segunda (301) e da terceira colocada (272).
Diante deste cenário, o Fórum das Águas do Amazonas promoveu a 12ª Tribuna das Águas reunindo movimentos sociais, universidades, ONGs e lideranças comunitárias, numa nova tentativa de melhorar os serviços oferecidos à população. Para os participantes do evento, a solução passa pela reestatização dos serviços e pela democratização da gestão do saneamento, possibilitando os moradores contribuir nas decisões sobre os investimentos realizados.
Amazonas Atual - https://amazonasatual.com.br/tribuna-das-aguas-repudia-a-privatizacao
IHU Unisinos - https://www.ihu.unisinos.br/668275-tribuna-das-aguas-repudia-a-privatizacao



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