Fórum das Águas realiza a XII Tribuna das Águas em frente à sede da concessionária de água e esgoto em Manaus
Luana
Cristina Coutinho*
Pedro Paulo Soares**
Na manhã do último sábado, 4 de julho, foi realizada a XII Tribuna das Águas em frente à sede da Água de Manaus, concessionária responsável pelos serviços de água, coleta e tratamento de esgoto na capital amazonense. O Fórum das Águas, organizador do evento, mobilizou movimentos sociais, ONGs, estudantes, professores, membros da sociedade civil e da comunidade para um momento de diálogo, reivindicação popular e denúncias sobre a precariedade dos serviços prestados, como os valores cobrados pela tarifa do esgoto e pela fatura de água, assim como a qualidade da água fornecida pela empresa.
Com o tema “A conta chegou e a água é de quem?”, o Fórum das Águas trouxe para a discussão que a água é um direito humano fundamental e universal, assegurado pela Constituição Federal de 1988 e destacou que, há 26 anos, os serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água em Manaus foram concedidos à iniciativa privada. De acordo com os presentes no evento, essa concessão trouxe um cenário caótico para as ruas da cidade com obras inconclusas, má prestação de serviços, cobrança abusivas e ataques à autonomia dos sistemas de abastecimento comunitários, ocasionando transtornos para os cidadãos e um elevado número de processos judiciais envolvendo a empresa.
Uma das principais reivindicações do Fórum das Águas foi a reestatização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário na cidade, visto que a empresa prioriza os lucros em desfavor da população e suas necessidades. Com a gestão pública, o horizonte é de maior participação social na política de saneamento, podendo trazer benefícios para a população, com a presença de serviços de forma mais acessível e com a melhoria dos atendimentos, assegurando água de qualidade e o esgotamento sanitário como um direito humano universal.
A privatização da água em Manaus vem gerando uma política de morte na capital, na medida em que o critério econômico é utilizado para definir quem tem acesso – e com que qualidade – a esse bem essencial à vida, que é a água. Em uma cidade em que 30% da população vive em situação de pobreza (segundo o IBGE) as “tarifas sociais” da concessionária não atingem a todos que precisam e famílias continuam comprometendo boa parte de sua renda com multas mal aplicadas, cobranças indevidas e consumo de água por fontes alternativas, já que as infraestruturas da empresa não garantem o abastecimento constante e com qualidade nas residências. Não à toa, o coro várias vezes entoado durante a manifestação foi “água não é morte, água é vida”.
A ideia de que “água é vida” anima a mobilização social pelo saneamento em Manaus e fortalece os vínculos entre as várias entidades que compõem o Fórum das Águas. Reforçando que água não pode ser tratada como uma simples mercadoria, o evento finalizou em celebração com música, diálogo e um momento de união e respeito entre os presentes, simbolizando que lutar pela água é lutar pela vida.
*Luana
Cristina Coutinho Brasil é graduanda finalista do Bacharelado em Ciências
Sociais da UFAM
**Pedro Paulo
Soares é professor do Departamento de Antropologia da UFAM.
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