Moradores do Conjunto Lula, localizado na Zona Sul de
Manaus, tem realizado contínuos protestos contra a empresa Águas de Manaus pela
falta de água no bairro desde fevereiro deste ano. O bairro situado no Distrito
Industrial possui 500 famílias convivendo diariamente com a falta de
abastecimento hídrico e, quando o serviço é restabelecido, a água chega
barrenta e imprópria para o consumo.
Essa situação levou a total perda de confiança da população
na empresa. Os moradores da localidade estão revoltados com a concessionária,
demonstrando decepção e se sentindo enganados depois de várias promessas
descumpridas. Em entrevistas aos canais de comunicação, uma das moradoras
desabafa: “eu não acredito mais em promessa, acredito em atitude. A conta chega
todo mês, mas a água não”. Outro morador se queixa afirmando que “quando a água
chega, vem extremamente suja, causando alergias”.
Entre outros aspectos, os moradores também destacam a falta
de manutenção das estruturas de saneamento no bairro, as cobranças abusivas e a
taxa exorbitante dos serviços de esgotamento sanitário, que segundo eles, chega
a 100% do valor da conta de água, mesmo diante da deficiência dos serviços.
Além da crise no abastecimento, eles reclamam de erosões, bueiros abertos e
abandono por parte do poder público.
Os moradores do Conjunto Lula expõem uma situação que não é
novidade em Manaus. A privatização do saneamento, que foi realizada há 26 anos,
tem sido alvo de graves críticas durante todo este período, mesmo com as
diversas trocas de empresas. Seguindo a tradição das concessionárias anteriores,
a Águas de Manaus acumula insatisfação popular pelas promessas descumpridas, as
cobranças abusivas, os serviços precários ou ausentes em várias partes da
cidade.
Esta insatisfação generalizada foi testemunhada em diferentes ocasiões pelas investigações das três Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI) instauradas pela Câmara dos Vereadores de Manaus (CMM): CPI de 2005, CPI de 2012 e CPI de 2023. Somente as constatações, provas e relatos destas CPIs são suficientes para colocarem sérios questionamentos sobre a eficiência e a viabilidade da privatização do saneamento realizada em julho de 2000.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon/AM) também
mostra com frequência o baixo desempenho da concessão privada de água e esgoto.
Neste sentido, o Procon revela que a concessionária ocupa repetidamente a infame
liderança das empresas mais reclamadas da cidade. De acordo com o Instituto, os
dados apontam que as 3 empresas mais reclamadas do ranking são: Águas de
Manaus, Bradesco e Vivo. Somente até o mês de maio de 2026, a empresa de
saneamento já tinha acumulado 510 reclamações, quase o dobro da segunda (301) e
da terceira colocada (272).
O site Reclame Aqui revela que os principais problemas
denunciados pelos consumidores são as cobranças indevidas e a falta de água nas
residências. Além disso, os indicadores fornecidos pelo Sistema Nacional de
Informações em Saneamento (SINISA) mostram que depois de 26 anos de
privatização a coleta de esgotos chega somente a 32,35% da cidade e os serviços
de tratamento de esgoto alcançam somente 22,78% da cidade. Esses resultados
colocam os serviços de água e esgoto de Manaus entre os 20 piores do Brasil na
escala dos 100 maiores municípios.
Por que esta concessão perdura por tanto tempo apesar de
tantas demonstrações de rejeição popular? Ao que tudo indica a população já não
tem o controle e a decisão sobre os serviços públicos na sua própria cidade. O
povo já não manda na cidade, mas o mercado, os bancos e os grandes empresários
em conluio com os gestores públicos e os poderes legislativos e judiciários. É preciso
mais democracia no Coração da Amazônia.
Amazonas Atual - https://amazonasatual.com.br/aguas-de-manaus-acumula-insatisfacao-popular/
IHU Unisinos - https://www.ihu.unisinos.br/668058-aguas-de-manaus-acumula-insatisfacao-popular


Comentários
Postar um comentário