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Fórum das Águas debate privatização do saneamento na Rádio Hub

No sábado (27), o Fórum das Águas do Amazonas (FAAM) participou do programa A Voz da Amazônia, transmitido pela Rádio Hub, rádio multiplataforma da Amazônia. Representando o FAAM, o entrevistado foi Eduardo Colmanetti, um dos membros fundadores da organização. O programa teve como tema "A água é do povo e não dos acionistas: 26 anos de privatização" e promoveu uma análise sobre os impactos da privatização dos serviços de água e esgoto em Manaus e no Brasil.

A entrevista foi conduzida por Isaac N. Lima, que abriu o debate apresentando documentos históricos e legislações relacionadas ao processo de privatização da água no Brasil e no Amazonas, contextualizando a discussão sobre as mudanças ocorridas no setor ao longo das últimas décadas.

 No primeiro bloco do programa, as perguntas abordaram a importância de organizações populares, como o Fórum das Águas, e o significado da privatização dos serviços públicos. Durante sua participação, Eduardo Colmanetti ressaltou o papel do Fórum como instrumento de organização e pressão popular diante da atuação da concessionária responsável pelo abastecimento de água em Manaus, cuja trajetória, é marcada por diversos escândalos.

Entre os problemas apontados estão as cobranças consideradas indevidas em comunidades que já possuem poços artesianos e Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) próprias, a recorrente falta de abastecimento nas residências, multas aplicadas por obras realizadas sem as devidas licenças ambientais, além de outras denúncias envolvendo a prestação do serviço.

Colmanetti também destacou que, desde o início da privatização do saneamento em Manaus, no ano de 2000, quatro empresas diferentes já assumiram a concessão dos serviços de água e esgoto no município. Segundo ele, mesmo após mais de duas décadas, não houve a universalização do atendimento nem melhorias efetivas na qualidade de vida da população.

Ao defender a gestão pública dos recursos hídricos, o representante do Fórum afirmou que a água deve ser tratada como um direito fundamental e não como uma mercadoria.

"Não há histórico de empresa privada no mundo que tenha tratado melhor a questão desse bem público que é a água do que uma empresa pública", afirmou Colmanetti.

No segundo bloco, o entrevistado respondeu ao questionamento sobre o impacto da estrutura societária das concessionárias para a população urbana e rural e explicou o funcionamento do processo de privatização. Segundo Colmanetti, o objetivo central das empresas privadas é a obtenção de lucro, o que, em sua avaliação, leva à adoção de práticas que penalizam diretamente os consumidores.

Entre os exemplos citados estão o aumento das tarifas, a cobrança pelo serviço de esgotamento sanitário em áreas onde esse serviço ainda não existe e o abastecimento irregular de água em diversos bairros da cidade.

"Como a gente percebe isso? Por exemplo, aqui nas zonas Norte e Leste, muitos locais têm água apenas duas, quatro horas por dia", destacou.

O representante do Fórum também mencionou experiências internacionais de privatização dos serviços de água. Segundo ele, países como França, Colômbia, Bolívia e Canadá enfrentaram problemas decorrentes da gestão privada e, posteriormente, optaram pela reestatização dos serviços.

"A lógica da empresa pública não é a lógica da empresa privada", afirmou.

Na parte final da entrevista, Isaac N. Lima levantou uma questão considerada fundamental para compreender a composição da tarifa cobrada dos consumidores: "O que a população paga na conta de água? É só água mesmo?" Em resposta, Eduardo Colmanetti explicou que a cobrança não se refere apenas ao fornecimento da água.

"O que é pago é o serviço, na verdade: a captação da água, o tratamento da água para o consumo e também o esgoto", esclareceu.

Encerrando sua participação, Colmanetti deixou uma mensagem em defesa da solidariedade e da gestão pública dos bens comuns.

"Nós precisamos, ao contrário do que dizem os neoliberais, fazer a diferença. Nós precisamos fazer a semelhança, lembrar da nossa semelhança com o outro para usufruir dessa existência, usufruir dos bens de maneira solidária, mais do que de maneira privada, como os neoliberais, os ditos conservadores, pregam por aí."

A entrevista reforçou o posicionamento do Fórum das Águas em defesa da água como direito humano e bem público com ampla participação popular, além de promover um debate sobre os resultados da privatização do saneamento em Manaus após 26 anos de concessões privadas.

 

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