A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu na
última semana a Mensagem ao povo
brasileiro por ocasião das Eleições de 2026. No documento o Conselho
Permanente da instituição convida a todos os eleitores e eleitoras a assumir a
responsabilidade pela escolha que vão fazer no pleito eleitoral em outubro
deste ano. Os bispos sublinham que as próximas eleições serão uma oportunidade
impar dos brasileiros exercerem a cidadania escolhendo os candidatos que melhor
representam os interesses do país e do seu povo.
Esta mensagem veio no momento certo, pois estamos numa
ocasião em que podemos mais uma vez valorizar a democracia, fazendo escolhas
conscientes, baseadas no conhecimento dos candidatos, de suas histórias e das
consequências de suas ações para o Brasil. É necessário irmos além dos
discursos difundidos pelos meios de comunicação e ingressarmos na análise dos
valores defendidos pelos candidatos, identificando e rejeitando os maus
políticos que praticam criminosamente o racismo, a violência contra as
mulheres, o ataque à dignidade da pessoa, a injustiça social, a devastação
ambiental, a corrupção e a intolerância religiosa.
Este é o momento certo de lembrar os nomes daqueles que
trabalham covardemente para a aprovação de leis que agridem os trabalhadores, incentivam
a destruição do meio ambiente, desprezam os povos indígenas, fragilizam os
direitos humanos, promovem a desigualdade social, prejudicam a soberania
nacional, difundem mentiras, semeiam o ódio contra os mais pobres, atacam a
democracia, desprezam o povo brasileiro e impedem que o Brasil caminhe para
frente. São pessoas de índole autoritária, egoísta e sem compromisso ético.
É preciso afastar esses maus políticos das funções que
atualmente exercem, substituindo-os por cidadãos comprometidos com os valores
que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade. Não
é possível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de
violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas
instituições democráticas. Não podemos entregar a política para pessoas que odeiam
o Brasil, que tramam a partir de dentro e a partir de fora artimanhas para
prejudicar os brasileiros.
Estamos vivendo as consequências das más escolhas das
últimas eleições, que colocaram nas casas legislativas pessoas descomprometidas
com o bem comum, vinculadas às classes endinheiradas do campo e das cidades que
saqueiam as riquezas brasileiras e se esforçam por afundar a nação na penúria,
na humilhação e no colapso ambiental. É necessário devolver às casas legislativas
o ímpeto da amizade social que gera uma fraternidade nacional focada na
superação das desigualdades, na abolição das estruturas autoritárias e na
eliminação do racismo e machismo estruturais.
Resgatando a mensagem dos bispos, concluímos que a esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial. Esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a democracia e trabalhar pela justiça. Assim, eles convidam a todos e todas se empenharem na criação da cultura do encontro, na promoção da paz social e na construção da fraternidade.
Amazonas Atual - https://amazonasatual.com.br/a-politica-e-a-amizade-social/
IHU Unisinos - https://www.ihu.unisinos.br/667409-a-politica-e-a-amizade-social-artigo-de-sandoval-alves-rocha

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