O Grupo Aegea Saneamento é dono da Concessionária Águas de
Manaus, que administra os serviços de água e esgoto da capital amazonense desde
2018, quando o Grupo Aguas do Brasil deixou a cidade sem cumprir com as metas
estabelecidas no contrato de concessão (2000). A Aegea saneamento, que tem como
acionistas a Equipav, o GIC (Fundo Soberano de Cingapura) e a Itaúsa, teve que
refazer o seu balanço financeiro de 2024, expondo uma baixa contábil de R$ 5
bilhões de reais. Nesta reapresentação do relatório, o patrimônio líquido total
da companhia saiu de R$ 11,5 bilhões para R$ 6,3 bilhões de reais.
Para os analistas este cenário indica uma fragilidade nos
controles internos da companhia e uma perigosa falta de transparência nas
contas da empresa. O tema não é apenas contábil, mas envolve interesses
públicos. Trata-se de serviços essenciais. Segundo o presidente da Sindágua/MS,
qualquer distorção, falta de transferência ou incoerência nas informações podem
ter reflexos diretos na vida das pessoas e nas condições de trabalho do setor. No
mercado financeiro em que as informações fornecidas geram especulações sobre a
empresa, equívocos destas dimensões causam instabilidades e inseguranças nos
investimentos, afetando a qualidade dos serviços das empresas.
Controlada pela Aegea Saneamento, a concessionária Águas de
Manaus também tem sido flagrada realizando operações ilegais que afetam
sensivelmente a população. A cidade convive com intervenções que distorcem
qualquer conceito de modernização, deixando marcas no cotidiano do manauara. Ruas
abertas, trechos interditados, alagações e congestionamentos compõem a rotina
de diversos bairros. A cidade apresenta um dos piores saneamentos, segundo o
ranking dos 100 maiores municípios do país. A insatisfação da população é
exposta pelo Procon/AM, que divulga a cada ano a lista das empresas mais
reclamadas da cidade, mostrando a concessionária de água e esgoto normalmente na
primeira colocação.
Depois de acumular multas de R$ 3, 3 milhões de reais por
irregularidades nos serviços ao longo dos três primeiros meses do ano, neste
mês de abril a Águas de Manaus foi obrigada pela Justiça a suspender cobranças
de tarifas de água e esgoto em condomínio que já possui os serviços através da
organização da comunidade. Esta decisão coloca em questão de forma adequada a
política adotada pela empresa de cobrar pelos serviços disponíveis, mesmo que
estes não sejam usufruídos pelos consumidores. Tais ações mostram como a
concessionária consegue obter lucros estratosféricos em cima de práticas
ilegais.
Estes eventos reforçam o compromisso de dezenas de organizações que se empenham em tornar os serviços públicos mais democráticos e transparentes. É possível concluir, no entanto, que quanto mais o mercado se torna livre e descontrolado, mais a democracia e os serviços públicos sofrerão consequências indesejáveis.
Amazonas Atual - https://amazonasatual.com.br/proprietarios-da-aguas-de-manaus-realizam-operacoes-suspeitas/
IHU Unisinos - https://www.ihu.unisinos.br/664990-proprietarios-da-aguas-de-manaus-realizam-operacoes-suspeitas-artigo-de-sandoval-alves-rocha

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