No dia 07 de fevereiro, no auditório Mãe Paula (CEFAM), o
Fórum das Águas do Amazonas iniciou a organização da Terceira Romaria das
Águas, a ser realizada no Encontro das Águas, situado a 3 km do Porto da Ceasa,
em Manaus. O evento, realizado no Dia Mundial da Água (22 de março), constitui
uma iniciativa do Coletivo que se mobiliza em prol dos direitos à água e ao
saneamento e combate os processos de privatização dos recursos hídricos na
Amazônia. A ação envolverá diversas organizações da sociedade civil, movimentos
socioambientais e religiosos, além de múltiplas pastorais da Arquidiocese de
Manaus.
O Encontro das Águas é um fenômeno natural gerado pela confluência dos rios Negro e Solimões, formando o Amazonas, maior rio do planeta. Ao longo de cerca de 7 km, as águas dos dois rios caminham lado a lado antes de se misturarem, projetando um simbolismo que remete ao respeito pela diversidade e pela natureza, resgatando atitudes essenciais como união, solidariedade e diálogo. O Encontro das Águas também engendra espiritualidades voltadas para o diálogo inter-religioso e baseadas nos princípios da colaboração e da complementariedade.
Neste ano, o tema da Romaria será: “água, fonte de vida e bem comum: nossos rios não estão à venda!”. Esta
temática expõe a preocupação das populações amazonenses em relação aos projetos
de privatização dos corpos hídricos da Amazônia. Há a percepção de que a lógica
mercantil está avançando sobre a Região, prejudicando diversos grupos humanos e
espécies de vida que habitam o território. A Romaria quer incentivar uma
reflexão nacional sobre a privatização dos rios que já vem sendo denunciada
pelos povos indígenas e ribeirinhos nas abrangências dos rios Tapajós, Madeira
e Tocantins.
Com a venda dos rios aos empresários do setor de exportação, o mercado e os grandes produtores serão beneficiados, mas as populações que dependem destes rios sairão prejudicadas naquilo que é considerado um bem comum e sagrado. A decisão do governo Lula de incluir esses rios nos projetos de privatização mostra como o neoliberalismo instaurou-se no Brasil, subordinando tudo à lógica capitalista, tratando o meio ambiente e a vida como mercadoria. Pela entrega dos bens comuns aos grandes capitalistas, a privatização tem acarretado perda da soberania nacional e promovido a concentração de riqueza nas mãos de poucos.
A privatização das águas impacta drasticamente os grupos
humanos mais vulneráveis, pois eles são ainda mais marginalizados, sofrendo
alterações negativas nas suas vidas individuais e coletivas. Esta prática autoritária
afeta a cidadania de muitos homens e mulheres nos seus direitos à água e
saneamento, pois ao serem privatizados estes serviços têm a acessibilidade cada
vez mais deficitária e precarizada. Esta situação também é vivida na cidade de Manaus,
cujos serviços de água e esgoto estão privatizados desde o ano 2000. Neste
grande centro urbano, bairros e comunidades, como Jorge Teixeira, Cidade de
Deus/Alfredo Nascimento e Viver Melhor convivem com a falta ou precariedade
destes serviços enquanto a empresa de saneamento enriquece rapidamente,
concentrando um gigantesco patrimônio.
O Fórum das Águas juntou-se a campanha dos povos indígenas, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e outros movimentos socioambientais para repudiar esta onda privatista que toma conta do Brasil, abolindo bens comuns de primeira grandeza. A Moção de Repúdio à privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins rejeita a Lei Nº 12.600/2025, assinada pela Presidência da República do Brasil, representando um grito de justiça dos povos que serão afetados imediatamente pela iniciativa privada, mas também remonta à preocupação com todos os bens comuns que passam por um processo de desconstrução para dar lugar um suposto progresso que só beneficia às classes abastadas brasileiras.
A reunião do Fórum das Águas também foi marcada pela presença da associação dos catadores de materiais recicláveis de Manaus. Esta organização procura apoio nos movimentos socioambientais sensibilizando toda a sociedade civil sobre a importância da ação desenvolvida por milhares de trabalhadores que recolhem matérias recicláveis, prestando um grande serviço ao meio ambiente. A organização visa obter apoio dos formuladores do Plano Diretor de Manaus para inserir estes trabalhadores no planejamento financeiro da cidade, providenciando suportes econômicos e de infraestruturas.
O Fórum das Águas retoma as suas tarefas no ano de 2026, visando contribuir com uma Amazônia mais respeitada e reconhecendo o valor dos povos, das culturas e da biodiversidade que constituem este território.
Amazonas Atual - https://amazonasatual.com.br/forum-das-aguas-se-mobiliza-para-a-terceira-romaria-das-aguas/





Comentários
Postar um comentário